Como é voar no novo jato executivo da Embraer

O Brasil tem a terceira maior frota de jatos executivos, com cerca de 750 aviões, e EXAME voou no novo jato Praetor 600 para contar como é a experiência

Por Karin Salomão

PRAETOR 600 da Embraer Foto: Germano Lüders 07/11/2018 (Germano Lüders/EXAME)

  • 1. Novidade(Germano Lüders/EXAME)São Paulo – A Embraer, fabricante brasileira de aeronaves, anunciou o lançamento de dois novos aviões, o Praetor 500 e Praetor 600. Os dois aviões integram a linha de oito jatos executivos e a segunda maior divisão da companhia.Os modelos foram apresentados na feira NBAA-BACE (National Business Aviation Association’s Business Aviation Conference and Exhibition), convenção e exposição da aviação executiva, e ficaram expostos no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para potenciais clientes.O Brasil tem a terceira maior frota de jatos executivos, com cerca de 750 aviões. Os Estados Unidos estão disparados no primeiro lugar, com cerca de 12 mil aviões e o México em segundo, com 900.EXAME voou no novo jato Praetor 600 para contar como é a experiência da aviação executiva e por que a fabricante está apostando nessa categoria.
  • 2. Joint Venture(Germano Lüders/EXAME)Em julho deste ano, a fabricante brasileira firmou uma joint venture com a Boeing para a criação de uma nova empresa voltada para aviação comercial. A Embraer terá 20% da nova companhia e a Boeing, os 80% restantes. Apenas a divisão comercial da Embraer foi negociada no acordo. A joint venture também prevê parcerias para investimentos em novos mercados e a comercialização do KC-390.
  • 3. Mercado(Germano Lüders/EXAME)A receita da fabricante com jatos executivos foi de 1.48 bilhão de dólares no ano passado. A aviação comercial foi responsável por 3,37 bilhões de dólares, de um total de 5,84 bilhões de dólares.A Embraer controla cerca de 20% do mercado mundial executivo em número de unidades vendidas. Entre suas concorrentes, estão a Cessna, Bombardier, Honda, Pilatus, entre outras. Por quatro anos, de 2012 a 2016, o seu modelo Phenom foi o mais vendido no mundo.
  • 4. Jatos executivos(Germano Lüders/EXAME)A divisão executiva foi criada em 2005 é a segunda maior da companhia, que também fabrica aviões comerciais, de defesa e oferece serviços, entre outros. Com o acordo comercial com a Boeing, a empresa deverá focar mais nesta categoria. “A Embraer precisa estar preparada para o futuro”, afirma o diretor.
  • 5. Entregas(Germano Lüders/EXAME)Em 2017, entregou 72 jatos leves e 37 jatos grandes, total de 109 aeronaves. Na aviação comercial, foram 101 entregas. A receita da divisão, no ano passado, foi de 1,5 bilhão de dólares, enquanto a aviação comercial apresentou receita de 3,4 bilhões de dólares no ano.As entregas de jatos caíram em relação aos dois anos anteriores – em 2015, foram 120 entregas. No entanto, com a recuperação da economia, Teixeira acredita que as entregas também serão retomadas.A Embraer hoje trabalha com oito modelos de jatos executivos, que acomodam de 4 a 19 pessoas. O Lineage 1000E é o maior deles, com espaço para uma cama king size e até um chuveiro a bordo.
  • 6. Diferenças(Germano Lüders/EXAME)A primeira diferença entre pegar um avião comercial e um jato executivo é no local de embarque. Para o nosso voo, fomos do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para uma pista do aeroporto de São José dos Campos.O hangar executivo, da empresa Icon Aviation, fica na parte de trás do aeroporto. Para embarcar, não há necessidade de pegar fila, passar a mala pelo Raio-X ou de passar pela Polícia Federal.O controle é prévio e o Hangar/FBO (sigla em inglês para Fixed Based Operations) recebe uma lista com os nomes e RG dos passageiros.
  • 7. Inovação(Germano Lüders/EXAME)Uma das inovações do Praetor é o winglet, parte final da asa que é dobrada para cima. Essa peça é maior que nos jatos anteriores, o que permite que o avião sofra menos arrasto, ou seja, resistência do ar. Assim, o gasto de combustível é menor e o avião pode voar distâncias maiores sem parar para abastecer.Assim, essas serão as aeronaves mais avançadas da categoria na companhia, com capacidade para voar de Londres a Nova York ou Fortaleza a Madri sem escalas. Ainda não estão em produção, mas os protótipos estão em campanha de desenvolvimento e consolidação dos dados técnicos.
  • 8. Preços(Germano Lüders/EXAME)Os dois novos modelos Praetor 500, para 6 a 9 passageiros, e Praetor 600, que acomoda de 8 a 12, estão à venda por a partir de 18 milhões de dólares e 22 milhões de dólares, respectivamente.O lançamento foi na feira de NBAA-BACE (National Business Aviation Association’s Business Aviation Conference and Exhibition), em outubro. Até então, o novo modelo era tratado como um segredo industrial, tratado por siglas nos documentos internos e conhecido só pelos envolvidos no projeto.
  • 9. Encomendas(Germano Lüders/EXAME)Os aviões devem aterrissar no mercado no ano que vem, mas a companhia disse que já recebeu pedidos de compra. A expectativa é de que o Praetor 600 receba certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) no segundo trimestre de 2019, e o Praetor 500 seja homologado no terceiro trimestre do mesmo ano.
  • 10. Uma sala de reunião(Germano Lüders/EXAME)Para Gustavo Teixeira, diretor de vendas da Embraer Aviação Executiva, para a América Latina, o jato é uma “ferramenta de trabalho”. Grandes empresas costumam comprar um avião para transportar executivos, que precisam visitar novas lojas, centros de distribuição ou fábricas, por exemplo. É comum até que negócios importantes sejam fechados na cabine de um avião, diz, uma vez que executivos têm privacidade no embarque.Os aviões precisam substituir o escritório, com rede wifi, mesas de trabalho, televisão e telefone conectado via satélite. A internet à bordo é de alta velocidade, com cobertura mundial, que permite streaming de vídeo, TV ou videoconferência durante o voo. Sua velocidade chega até 16 Mbps. “Quem usa esse avião precisa ter o domínio de tudo na mão”, diz Teixeira.
  • 11. No ritmo brasileiro(Germano Lüders/EXAME)Designers brasileiros e americanos ficaram responsáveis pelo interior das aeronaves. O projeto se chama Bossa Nova, ritmo brasileiro derivado do jazz americano. O país está representado nos padrões de costura dos assentos, que lembram o calçadão de Ipanema, e nas cores do carpete, que imitam a areia da praia.
  • 12. Luzes(Germano Lüders/EXAME)Cada detalhe do avião é pensado para aumentar o conforto. A iluminação é controlada pela tela touch screen e pode ser ajustadas para uma luz mais azulada ou branca, perfeita para trabalhar, ou amarelada, mais relaxante. O trilho das luzes tem uma função dupla. Também serve como corrimão, para que os passageiros possam andar pela cabine sem se apoiar nos assentos, o que pode atrapalhar quem está sentado.
  • 13. Conforto(Germano Lüders/EXAME)A cabine também recebe um isolamento acústico e, por isso, é bem mais silenciosa que a de um avião comercial. Segundo o diretor, o barulho é um dos causadores do cansaço sentido depois de um voo.
  • 14. Menos turbulência(Germano Lüders/EXAME)Outro mecanismo voltado ao conforto é a redução de turbulência. O voo, que durou cerca de 15 minutos, foi bem suave que um voo comercial. Há uma diferença também na decolagem, mais rápida e feita em uma pista mais curta.Para voltar para São Paulo, depois do voo, pegamos uma van.

Por exame.abril.com.br

Denilson Alves

Editor do Portal Nosso Goiás

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