Cineteatro São Joaquim recebe o espetáculo de dança Natureza Morta

A montagem tem patrocínio da Lei Goyazes e irá circular por Goiás, Campo Grande e Belo Horizonte

O Cineteatro São Joaquim, na cidade de Goiás, unidade da Secretaria de Cultura (Secult Goiás), recebe nesta sexta-feira e sábado, dias 29 e 30, o espetáculo de dança Natureza Morta, do grupo Ateliê do Gesto. A apresentação terá início às 20 horas, e a entrada é gratuita, mas pede-se a doação de livros literários, usados ou não, cuja arrecadação será doada para uma biblioteca pública. O projeto tem patrocínio da Lei Goyazes, mecanismo do governo do Estado, gerenciado pela Secult Goiás.

Cineteatro São Joaquim

No palco, a dança contemporânea se une à arte visual, em meio aos movimentos dos bailarinos Daniel Calvet e João Paulo Gross. Inspirando na obra do desenhista, escultor e pintor mineiro Farnese de Andrade, o espetáculo, que tem direção do também bailarino, João Paulo Gross, proporciona ao público uma experiência intimista e um exercício poético ao trazer o barroco, um movimento artístico que expõe os conflitos humanos que se equilibram entre a emoção e a razão, o prazer e a dor, a vida e a morte.

Para provocar esses sentimentos, os bailarinos levam em cena a arte de Farnese de Andrade, artista de destaque na história das artes brasileiras. O trabalho é, também, um resgate, pois apesar de toda a força de sua obra e de ser um artista concorrido e premiado até os anos 1970, é pouco lembrado ou conhecido pelo grande público nas últimas décadas. O espetáculo, Gross adianta, dialoga não só o com o trabalho do artista, mas também com sua densa trajetória de vida.

Natureza Morta 

É uma criação que nasceu há dez anos no Rio de Janeiro, quando João Paulo Gross atuava por lá. A obra passou por palcos como Sesc Copacabana, foi ganhador da Mostra Novíssimas Pesquisas Cênicas (projeto organizado pela diretora e atriz Ana Kfouri), participou da Bienal Sesc de Dança/Edição 2009 e contou com a dramaturgia de Verônica Prates. Já radicado em Goiás, Gross incorpora-o ao repertório do goiano Ateliê do Gesto em 2017. “O Ateliê é um espaço onde investimos e pesquisamos o movimento em diálogo com outras áreas artísticas”, justifica Gross sobre o espetáculo que dialoga com as artes plásticas a partir da vida e obra de Farnese de Andrade.

A produção esteve em cartaz em Goiânia, nos dias 15 e 16,  sexta e sábado, e depois da cidade de Goiás segue para circulação para Belo Horizonte e Campo Grande e Piracanjuba.

O Grupo

O Ateliê do Gesto nasceu da busca por novas percepções e diálogos com outras linguagens artísticas no corpo em movimento. Através de identificações estéticas e o desejo de trabalharem num projeto autoral, João Paulo Gross e Daniel Calvet (artistas com carreiras consolidadas e passagens por importantes cias de dança no Brasil), se juntaram para pesquisar o corpo, tendo como ponto de partida o movimento e sua construção dramatúrgica na cena.

Desse encontro nasceu O Crivo, espetáculo inspirado na obra de Guimarães Rosa, ganhador do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015, do Fundo de Arte e Cultura de Goiás 2015 circulando pelas cinco regiões do Brasil por diversas cidades e por diversos festivais internacionais. Em 2018 o grupo integrou o Palco Giratório, projeto de circulação das artes cênicas em nível nacional, produzido pelo SESC – Departamento Nacional.

Neste ano o grupo circula com seus espetáculos de repertório O Crivo, Natureza Morta, e prepara para uma temporada de estreia da sua mais recente criação, o espetáculo Dança Boba, dirigido por Daniel Calvet, em Goiânia no segundo semestre. Além dessas atividades o grupo embarca para uma circulação internacional no Equador e no Peru difundindo a dança contemporânea que produzem em Goiás.

Denilson Alves

Editor do Portal Nosso Goiás