Caribéu, um prato indígena típico do Pantanal

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Quem busca diversificar precisa experimentar o caribéu pantaneiro



Dizem os historiadores que, antes da chegada dos portugueses, os índios já faziam o caribéu utilizando mandioca e carne de caça. Os bandeirantes substituiram a carne de caça pelo charque (ou a carne seca) que eles traziam para o sustento na viagem.

Hoje, o prato acompanha as comitivas dos peões que atravessam o pantanal levando as boiadas. É muito apreciado tanto em Mato Grosso do Sul, como em Mato Grosso. O segredo do prato é o ponto, principalmente da mandioca que não pode “empapar”. Assim, é necessário acrescentar os ingredientes na ordem certa.

Quem nos ajuda nessa tarefa é Letícia Nogueira. Seu nome profissional:  Chef Kalymaracaya. Ela é índia Terena, tem 34 anos, morou em aldeia e hoje reside em Campo Grande. Já participou de eventos nacionais de gastronomia. Mato Grosso do Sul tem a maior população de  terenas. Segundo o IBGE, vivem no Estado perto de 16 mil indígenas dessa etnia. Eles estão em municípios como Miranda, Aquidauana, Sidrolândia e Rochedo.

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A chef Kalymaracaya prepara o caribéu pantaneiro


Saiba como preparar o Caribéu Pantaneiro

Veja a seguir a receita da chef indígena Kalymaracaya 

 Serve: 6 pessoas 
Tempo de preparo: 40 minutos 
Grau de dificuldade: Intermediário 

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Caribéu Pantaneiro

O Caribéu Pantaneiro tem origens indígenas e portuguesas.
Hoje em dia, a tribo dos índios terena, no Mato Grosso do Sul, mantém viva essa tradição culinária.
Conheça mais sobre o Caribéu.
Veja abaixo a receita da chef terena Kalymaracaya.

Carne Soleada
Nesta receita, a chef terena Kalymaracaia usa um corte de carne chamado capa de coxão duro. A carne soleada é uma carne-de-sol mais jovem, uma espécie de carne serenada. Recebe pouco sal e fica marinando algumas horas. Depois, descansa 48 horas à sobra. O resultado é uma peça escura por fora, porém vermelha por dentro e mais macia. Ideal para o caribéu, segundo a nossa chef.

Ingredientes
1 kg de carne soleada (carne-de-sol)
1kg de mandioca amarela
5 tomates grandes
3 cebolas grandes
4 dentes de alho
1 maço de cebolinha
1 maço de salsinha
1 pimentão vermelho médio ou ½ pimentão grande
2 colheres de sopa de urucum (pode ser o colorau)
Sal à gosto
Óleo ou azeite de oliva à gosto
1 litro de água

Modo de preparo
(veja também detalhes do passo-a-passo na galeria de fotos abaixo)

A chef Kalymaracaya explica que a carne deve ser cortada em lascas de aproximadamente 3 cm de comprimento. Faça cortes enviesados, intercalando os lados da peça. Reserve.

A mandioca (xupu na língua terena) segue a mesma lógica da carne. Os cortes devem ser em lascas, intercalando os lados da raiz para que as fatias fiquem irregulares. Reserve.

Tomate, cebola e pimentão: corte tudo em cubos pequenos e reserve.

Alho: Amasse bem e reserve. Cebolinha e Salsinha: A salsinha deve ser picada. Já a cebolinha deve ser fatiada em pequenos tubinhos de meio centímetro. Reserve.

A chef Kalymaracaia usa um fogão à lenha. Ela explica que é preciso deixar a panela bem quente, antes de colocar a carne. Em seguida, um fio de óleo ou azeite. E então, mexe para dar a primeira fritada na carne. Ela acrescenta a cebola e o alho. Continua mexendo com colher de pau até a mistura ficar toda dourada.

Na sequência, ela joga na panela o tomate, o pimentão e a mandioca. Mistura bem.  Em seguida, coloca 1 litro de água e continua mexendo.

A fase seguinte é adicionar duas colheres de urucum em pó, a cebolinha com a salsinha e mexer um pouco.

Agora, é deixar cozinhar por vinte minutos ou até que a mandioca fique macia. É bom mexer de vez em quando pra não grudar no fundo. Atenção: A mandioca não pode derreter.  Precisa ficar macia, porém firme. Não precisa tampar a panela. O ponto ideal é um caldo ligeiramente grosso e com os pedaços inteiros da mandioca.

O prato e seus acompanhamentos:
O prato fica completo com arroz branco e farofa.
Suco de maracujá, caju ou guavira são exemplos de bebidas que combinam com o caribéu.

Por Academia da Carne Friboi

Denilson Alves

Editor do Portal Nosso Goiás

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