Há a necessidade de jejum para todos os exames de sangue? Uso de remédio interfere no resultado?

Com base nas perguntas mais frequentes dos pacientes, mostramos o que é mito e o que é verdade e outras curiosidades sobre a coleta de exames


O dia de realizar exames está próximo e, de repente, a cabeça do paciente é tomada por pontos de interrogação. Será que preciso ficar de jejum? Por quantas horas? O remédio que estou tomando pode interferir nos resultados? Compilamos estas perguntas mais frequentes e as respondemos com a ajuda do Dr. Cristóvão Mangueira, diretor médico do laboratório clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Exames laboratoriais são ferramentas decisivas na prática da medicina preventiva — Foto: Divulgação

Exames laboratoriais são ferramentas decisivas na prática da medicina preventiva — Foto: Divulgação

1. Todos os exames precisam de jejum?

Já percebeu que os laboratórios ficam lotados nas primeiras horas da manhã? Muita gente acha que tem de fazer jejum e, por isso, corre para fazer o exame logo cedo. Só que a tecnologia avançou. Hoje, exames como hemograma, colesterol total e triglicérides, não exigem que o paciente fique um determinado período sem comer antes da coleta. Isso depende do exame e pode variar de acordo com o laboratório. No Einstein, por exemplo, os exames de colesterol e de triglicérides não há a necessidade de jejum quando não indicado pelo médico.

2. Beber água “quebra” o jejum?

Tudo depende da quantidade. Um bom exemplo é um paciente que tem de tomar, todos os dias, medicação para controle da pressão. Beber um pouco d’água com o remédio não vai interferir no exame que exige jejum. O problema é o excesso. Nesse caso, pode haver interferência não só em exames de urina, mas também nos de sangue.

3. É sempre necessário fazer exames com um acompanhante?

Nem sempre. Em geral, os exames que exigem acompanhante são aqueles em que o paciente é sedado. Daí é importante que uma pessoa maior de 18 anos o acompanhe. Em um exame de sangue de rotina, o paciente pode ir sozinho, por exemplo.

4. Vou perder o dia inteiro fazendo exames?

Os mais apressados não precisam se preocupar. A maior parte dos exames é rápida e não exige mais do que meia hora do paciente.

Uma alternativa para aqueles que não querem ir até uma unidade de coleta do Einstein, por exemplo, é o serviço de atendimento domiciliar Einstein Até Você, em que um profissional vai ao local onde o paciente está para realizar exames laboratoriais, cardiológicos e vacinação.

5. Dois exames laboratoriais da mesma pessoa, realizados no mesmo dia, têm de ter os mesmos resultados?

Não. O exame laboratorial é uma espécie de fotografia do organismo naquele determinado momento. Pode, portanto, variar ao longo do dia. Há também pequenas oscilações nos resultados que podem aparecer de um laboratório para o outro, por conta de diferenças de metodologia, por exemplo.

6. Como devo coletar exames de urina e fezes?

Há dois tipos de exames de urina. No primeiro, mais fácil, o paciente só faz uma coleta. A orientação é ficar ao menos de duas a três horas sem urinar. Daí despreza-se o primeiro jato (assim, ficam de fora da amostra possíveis contaminações que se depositam no canal da uretra) e vai para o frasco o que se chama de “jato médio”.

O segundo tipo é mais complicado. Em alguns casos, os médicos pedem para o paciente coletar a urina em um ciclo de 24 horas. A orientação é desprezar a primeira urina desse ciclo e, a partir daí, coletar tudo daquele dia para depois levar ao laboratório.

Para o exame de fezes, basta coletar no frasco específico fornecido pelo laboratório.

Em ambos os casos, a recomendação é que o paciente tenha cuidado com o material coletado para não ter contato com nenhum objeto não esterilizado, pois esse descuido pode influenciar no resultado final.

Resultados podem ter pequenas variações em laboratórios diferentes — Foto: Bruno Alencastro

Resultados podem ter pequenas variações em laboratórios diferentes — Foto: Bruno Alencastro

7. A medicação que estou tomando pode afetar os resultados?

Pode. Por isso é importante o paciente comunicar o laboratório sobre os remédios que está ingerindo. O uso não informado de um corticoide, por exemplo, pode atrapalhar a interpretação dos resultados. Se você se programou para fazer um exame de rotina durante um tratamento temporário com medicação, o mais prudente é adiar.

8. A menstruação interfere nos exames?

No exame de urina, sim, pois há contaminação com sangue. Nesse caso, melhor esperar para coletar depois da menstruação. Nos exames de sangue que testam níveis hormonais pode haver alguma variação, mas no próprio laudo já aparecem os resultados de referência, que levam em consideração as diferentes fases do ciclo menstrual. Dependendo do objetivo do exame, o médico até orienta a realização da coleta de sangue em um determinado momento do ciclo.

9. É verdade que ingerir bebida alcoólica antes dos exames pode alterar os resultados?

A regra é manter os hábitos, o que permite ao médico ter uma “fotografia” real do seu organismo ao receber os resultados. Se o exame não pede jejum ou alguma outra restrição específica e você toma uma taça de vinho todos os dias, permaneça fiel à rotina. O mesmo vale para a alimentação. Não dá para se jogar em dietas malucas antes dos exames, em uma tentativa de “mascarar” os excessos do dia a dia. Se tiver dúvidas, peça orientação do seu médico ou do laboratório para saber o que você pode comer e beber.

*Consulte sempre as orientações gerais do laboratório e do seu médico para realização de exames.

Por Portal G1

Denilson Alves

Editor do Portal Nosso Goiás