Construção foi um dos setores com melhor resultado em 2020, apesar do baixo nível de digitalização

Com apenas 62% das empresas na internet, o segmento da construção conseguiu gerar 46,6% de todas as vagas de emprego criadas pelas micro e pequenas empresas ao longo do ano

A digitalização das micro e pequenas empresas foi essencial para muitos segmentos da economia durante o ano de 2020. Entretanto, na contramão dessa regra, o setor da Construção Civil foi um dos que menos sentiu o impacto da pandemia e empregou mais, mesmo sem ter reforçado o investimento no uso de redes sociais e de aplicativos para vender seus produtos e serviços.

De acordo com a 9ª edição da pesquisa “O Impacto da Pandemia de Coronavírus”, elaborada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), apenas 62% das empresas dessa atividade estão na internet e redes sociais, número inferior à média dos pequenos negócios, que é de 70%. Apesar disso, o setor da construção foi um dos cinco segmentos que menos apresentaram queda de faturamento (30%). No mesmo sentido, o estudo do Caged de 2020, demonstrou que a Construção Civil foi o setor que fechou o ano com o maior saldo de empregos gerados: 136,5 mil empregos, o que representa 46,6% do total de vagas criadas pelas micro e pequenas empresas no ano passado.

O analista de Competitividade do Sebrae Enio Queijada cita que esse bom desempenho pode ser justificado pelo déficit habitacional de oito milhões de domicílios no país. Pesou ainda o fato de que muitas pessoas mudaram de residência em 2020, seja em busca de mais espaço ou para adequar as despesas à nova realidade do orçamento. “O protagonismo da casa gerado pelo ‘não saia na rua’ e o homeoffice gerou esse foco na moradia: melhorias, pequenas reformas, benfeitorias etc. visando deixar a casa aparelhada também para o trabalho e também para o EAD onde há estudantes. Outro fator importante é que desde o final de abril o setor passou a ser considerado como atividade essencial e, com isso, acabou sendo menos afetado pelas medidas restritivas de fechamento do comércio”, pontuou Queijada.

Sobre a pouca digitalização do setor, Enio diz que estudos já demonstraram que apenas a agricultura e a pesca são mais resistentes à inovação do que a construção. “Boa parte dos empresários são os chamados “adotantes tardios” de inovações. Olhando para uma construção convencional com tijolos, cimento, ferragens e madeiras, realmente nos últimos 70 anos, aparentemente pouca coisa mudou”. Queijada complementa que a inclusão e a obtenção de fluência digital vêm ocorrendo de modo mais lento do que em outras atividades. Ele ressalta, entretanto, que essa demora pode ser explicada em razão do setor ser muito heterogêneo e amplo, indo desde um servente de obras até às construtoras mais estruturadas, capitalizadas e digitalizadas.

“Antevemos uma melhoria inevitável na inserção desse segmento no mundo digital. As novas gerações de empresários e os sucessores das firmas mais antigas já estão buscando surfar nessa onda. Estima-se que existam mais de 700 construtechs e proptechs, as startups do setor, que atuam no pré-obra, na obra e na pós-obra, levando maior fluência digital ao setor e às dezenas de segmentos envolvidos”, prevê Enio Queijada.

Up Digital

Para mudar essa realidade, o Sebrae tem desenvolvido programas e ações para que um número maior de empreendedores, tanto na construção civil quanto em outras atividades entrem para o mundo digital. Um exemplo é o programa Up Digital uma jornada online de dez dias e com três encontros virtuais. São grupos fechados de até dez empresários em um ambiente de compartilhamento de práticas, acompanhados por especialistas e que explicam como usar melhor a internet a seu favor.

A paranaense Rosana Ferreira, proprietária da casa de material de Construção Fortaleza, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba (PR), é uma das empresárias do setor da construção civil que participou dessa capacitação em julho do ano passado, o que a fez potencializar o uso das redes sociais. “Tínhamos página no Google, Facebook e usávamos o Whatsapp, mas não sabíamos como potencializar o uso dessas ferramentas para que elas nos dessem retorno”, conta a empresária.

Uma melhor gestão das redes sociais permitiu que a empresa, apesar da pandemia, aumentasse o seu faturamento no ano passado. Rosana explica que durante um longo tempo do ano passado as vendas ficaram concentradas no Whatsapp e que após participar do UpDigital a empresa abriu uma página no Instagram também. “Aprendemos como gerir cada uma das redes em que atuamos e a conhecer suas especificidades. Tivemos a percepção de que essas ferramentas também poderiam nos gerar renda”, comemorou.

Por Agência Sebrae de Notícias

Denilson Alves

Editor do Portal Nosso Goiás