Rompimento: Integrantes do MDB deixam a Prefeitura de Goiânia, alegando falta de diálogo e de comando por parte do prefeito

Em carta aberta à população, 14 anunciam saída de cargos estratégicos; veja lista. Prefeito Rogério Cruz disse que respeita o presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, mas que ele precisa entender que não foi eleito para o cargo de prefeito.

Com informações do Portal G1 GO


O presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, anunciou nesta segunda-feira (5) a saída do partido da base de apoio do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, ao alegar que o comando da capital está com a ‘direção nacional do Republicanos’, sigla a qual o prefeito é filiado. Cruz era vice na chapa que tinha Maguito Vilela (MDB) como prefeito, mas ele morreu de Covid-19 em 13 de janeiro. Com o rompimento, 14 membros do partido entregaram os cargos no Paço (veja lista ao final).

Para Daniel Vilela, nas últimas semanas, as exonerações dos nomes sugeridos pelo MDB indicaram o desejo do prefeito de não ter a participação do partido e de outros gestores escolhidos por Maguito Vilela na administração.

Em uma carta aberta à sociedade, o presidente estadual do partido afirma que o prefeito fechou as portas ao diálogo e teria informado que qualquer assunto relacionado à prefeitura precisaria ser tratado com o presidente do Republicanos do Distrito Federal ou com o presidente nacional da legenda.

“Não era esse o combinado. O combinado era a defesa de um projeto muito bem construído e escolhido pelos goianienses. Infelizmente, o prefeito busca outro rumo e interrompe um diálogo conosco. A realidade é que quem está comandando hoje a prefeitura de Goiânia é a direção nacional do Republicanos, a partir de nomes de fora de Goiás indicados por eles para funções estratégicas na administração”, alegou Vilela.

Em entrevista coletiva nesta tarde, o prefeito disse que são legítimas as mudanças apresentadas no secretariado da prefeitura e que não permitiria “ilhas” em seu governo.

Presidente estadual do MDB Goiás, Daniel Vilela — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Presidente estadual do MDB Goiás, Daniel Vilela — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

“Ou será que eu, como prefeito de Goiânia, terei de deixar outras pessoas ditarem as regras? Respeito demais o Daniel, mas ele precisa entender que ele não foi eleito, foi o pai dele”, disparou Cruz na entrevista.

O prefeito disse que em momento algum torceu pela morte de Maguito Vilela, mas que a perda aumentou sua responsabilidade na condução da prefeitura e que terá de corresponder, no mínimo, o que Maguito faria pela cidade.

Apesar da saída anunciada pelo MDB, Rogério Cruz diz que o partido não está saindo da gestão, mas o grupo político de Daniel Vilela.

“Respeito a decisão. Respeito o legado de Maguito, tanto que aceitei o convite para ser vice na chapa dele. Enfrentamos juntos a Covid-19, testamos positivos na mesma época. Vamos cumprir o plano de governo independente de quem serão os auxiliares”, destacou Cruz.

Daniel e Maguito Vilela, em Goiás — Foto: Reprodução/Instagram

Daniel e Maguito Vilela, em Goiás — Foto: Reprodução/Instagram

Ao longo das últimas semanas, nomes indicados pelo MDB deixaram o paço. Do primeiro escalão, estão Luiz Bittencourt, que era secretário de Infraestrutura (Seinfra), Bruno Rocha Lima, que deixou a Secretaria de Comunicação, e o ex-vereador da capital Andrey Azeredo, que foi secretário de Governo.

O único indicado que continua na administração é o secretário de Saúde de Goiânia, Durval Pedroso, que não poderia entregar o cargo neste momento por causa da pandemia.

Rogério Cruz, prefeito de Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Rogério Cruz, prefeito de Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Veja quem sai da prefeitura:

  1. Agenor Mariano, secretário de Planejamento Urbano e Habitação;
  2. Alessandro Melo, secretário de Finanças;
  3. Pedro Chaves, secretário de Mobilidade;
  4. Euler de Morais, secretário de Relações Institucionais;
  5. Murilo Ulhôa, presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos;
  6. José Frederico, secretário de Prioridades Estratégicas;
  7. Carlos Júnior, secretário de Desenvolvimento e Economia Criativa;
  8. Leandro Vilela, secretário extraordinário;
  9. Gean Carvalho, secretário-executivo de Assuntos Estratégicos;
  10. Célio Campos, secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia;
  11. Filemon Pereira, secretário de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas;
  12. Colemar Moura, controlador-geral do Município;
  13. Antônio Flávio, procurador-geral do Município;
  14. Kléber Adorno, secretário de Cultura.

Oposição

Os vereadores do MDB podem fazer oposição ao prefeito, segundo Daniel Vilela, mas de forma inteligente e construtiva e cobrar a realização dos compromissos assumidos ao longo da campanha.

“Seguiremos vigilantes e cobrando, de forma enfática, que a atual gestão cumpra o que foi assumido com o eleitor na campanha. Não seremos cúmplices de quem porventura tenha decidido por outro caminho que não o de trabalhar para Goiânia seguir em frente”, diz trecho da carta.

Conteúdo publicado originalmente por G1 Goiás

Denilson Alves

Editor do Portal Nosso Goiás