Empreendedorismo social na escola faz aluno mobilizar conhecimentos para melhorar realidade

Interdisciplinaridade e aprendizagens socioemocionais são ganhos desse conteúdo no currículo

Empreendedorismo social é qualquer tipo de iniciativa voltada ao enfrentamento de problemas e desafios presentes no dia a dai da sociedade. “Quando se tem uma organização, um projeto ou um movimento coletivo com tais objetivos, o empreendedorismo social está caracterizado”, informa o mestre em educação e gerente do Instituto Sabin Gabriel Fernandes Cardoso.

Por Leonardo Valle, do Instituto Claro

“As ações visam a construir valores e suprir demandas sociais que, muitas vezes, o poder público não atinge”, enfatiza o historiador e mestre em Educação em Ciências Cristiano da Cruz Fraga. Tais iniciativas são diferentes do empreendedorismo “tradicional”. “Este último busca resolver necessidades ou desejos de pessoas por meio da criação de valor e tendo o lucro como consequência”, diferencia Cardoso. “O social pode ter iniciativas com ou sem possibilidade de lucro. Em caso afirmativo, este é reinvestido na própria organização”, esclarece.

Pois o empreendedorismo social pode ser um tema desenvolvido com os alunos da educação básica, trazendo benefícios para a sua aprendizagem e também ajudando a desenvolver a comunidade do entorno da escola. “São trabalhadas diversas competências e habilidades relacionadas à convivência em sociedade com os adultos, como empatia e respeito à diversidade e às causas sociais”, apresenta a doutoranda em educação em ciências Cecília Decarli.

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“São aprendizados que refletirão em suas relações enquanto cidadãos”, destaca Fraga.
Disciplinas de diversos campos do conhecimento podem ser envolvidas em um projeto prático de empreendedorismo social na escola. “Afinal, problemas sociais são essencialmente interdisciplinares e exigem pensamento complexo e sistêmico do modelo educacional”, justifica Cardoso.

Recursos humanos

Decarli e Fraga trabalharam o empreendedorismo social na prática com uma turma de 25 alunos do 8° ano do ensino fundamental em uma escola municipal da cidade de Campo Bom (RS). O tema trazido e escolhido pela classe foi o Lar Santa Rita, instituição que acolhe a população idosa da cidade. “Os jovens interagiram, conversaram e realizaram ações beneficentes”, lembra Decarli.

Segundo os professores, os resultados finais foram a troca de experiência entre gerações, reflexão sobre valorização e inserção da pessoa idosa na sociedade atual e percepção da necessidade de vínculos afetivos por essa população. “Em classe, os alunos relataram as histórias ouvidas no lar e notamos que criaram empatia por este público”, analisa Fraga.

Segundo Decarli, pensar o projeto social demandou empreendedorismo por parte da turma. “Para toda ação voluntária criam-se metas e planejamentos para alcançar objetivos propostos, além de uma análise ao final”, descreve. Os desafios foram desenvolver uma ação simples, mas de impacto. “Não tínhamos recursos financeiros, apenas humanos”, revela a docente.

Para professores que desejam se inspirar na prática, Decarli enfatiza a importância de apresentar a teoria sobre empreendedorismo social ao alunos. “Traga exemplos reais e da realidade dos alunos, pensando em conjunto com eles. Os estudantes vivem mais a realidade do entorno da escola e sabem o que é necessário para impactar a realidade em que estão inseridos”, garante.

Brechó para filantropia

A criação de um brechó com renda voltada a três entidades foi a escolha dos alunos do ensino médico integrado com técnico em administração do Instituto Federal de Educação do Tocantins – Campus Gurupi – para colocar em prática conceitos do empreendedorismo social.

“A ideia surgiu como uma tentativa de reaproveitar roupas que já estavam em desuso e ajudar tanto aqueles que não tinham espaço no guarda roupa, quanto quem precisava de novas peças. Além de colaborar com o meio ambiente, já que a indústria têxtil é responsável pelo agravamento do aquecimento global”, relata a ex-aluna e participante do projeto Sara Macedo Silva.

Primeiramente, os alunos realizaram uma campanha via Instagram solicitando peças à comunidade. “Ao recebermos as roupas, selecionamos quais estavam em bom estado, quais iriam direto para doação e quais seriam vendidas no brechó”, relata. Um desafio foi coletar variedades de roupas. “A maioria das peças eram femininas, com poucas infantis e uma minoria masculina”, compartilha.

Fonte: institutoclaro.org.br

Denilson Alves

Editor do Portal Nosso Goiás