Nem sempre é só genética: quando investigar baixa estatura na infância?
Na volta às aulas, pais podem notar diferenças de altura entre crianças. Especialista explica sobre sinais de alerta que devem ser observados e investigados
Com a retomada das atividades escolares neste início de semestre, é comum que pais e responsáveis percebam que alguns alunos parecem estar muito abaixo da altura média da turma. Embora diferenças individuais sejam esperadas, quando essa variação começa a se acentuar ao longo do tempo, pode ser sinal de algo que merece investigação médica.
Segundo a endocrinologista pediátrica Marília Barbosa, o crescimento infantil segue padrões fisiológicos rigorosos e deve ser acompanhado de forma sistemática ao longo de consulta. “Na volta às aulas, a comparação entre colegas pode chamar a atenção dos pais, mas o critério para investigação não é apenas essa comparação, e sim a trajetória de crescimento da própria criança”, explica.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de agências internacionais indicam que problemas de crescimento são ainda relevantes globalmente: em 2024, cerca de 23,2% das crianças menores de cinco anos tinham estatura inferior ao esperado para a idade. Esta condição é definida como “stunting”, ou crescimento prejudicado, e afeta aproximadamente 150,2 milhões de crianças em todo o mundo.

A baixa estatura pode ter causas distintas, desde variações genéticas e condições familiares até questões nutricionais ou endocrinológicas. Segundo critérios da OMS, considera-se baixa estatura quando a criança está entre as 3% mais baixas para sua idade e sexo, de acordo com curvas internacionais de crescimento.
“Estar entre os menores da classe não significa, por si só, que haja um problema de saúde. Muitas crianças simplesmente herdaram um padrão familiar de estatura. Mas quando a curva de crescimento está estagnada ou em declínio ao longo de meses ou anos, é necessário investigar”, detalha a Marília.
A avaliação médica inclui a análise da curva de crescimento, história familiar, exames físicos e, quando indicado, exames laboratoriais ou de idade óssea. Entre as causas que podem justificar uma investigação estão deficiências hormonais, doenças crônicas, condições nutricionais ou, em casos raros, desordens genéticas específicas.
Além do aspecto físico, a baixa estatura pode ter impacto emocional significativo, especialmente no ambiente escolar, onde a comparação com os colegas é constante. “O crescimento é um processo biológico, mas a comparação social acontece naturalmente. Por isso, a avaliação médica é essencial para diferenciar o que é variação normal do que pode indicar um problema de saúde.”.
A recomendação é que pais mantenham o acompanhamento pediátrico regular e conversem com um endocrinologista pediátrico caso identifiquem desvios persistentes na curva de crescimento. “A orientação profissional é essencial, especialmente se a criança tem sintomas adicionais, como atraso de desenvolvimento ou redução na velocidade de crescimento”, aconselha a endocrinologista.
Por Carolina Pessoni
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